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Mulher e Trabalho

Entenda

Informações Gerais

A situação da mulher, no que diz respeito ao trabalho, é extremamente desigual se comparada à vivenciada pelos homens: rendimentos menores com a mesma escolaridade; maior participação no trabalho informal, portanto, falta de proteção social; maior tempo dedicado ao trabalho doméstico. A publicação “Síntese de Indicadores Sociais — uma análise das condições de vida da população brasileira”, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística — IBGE —, na versão de 2010, traz um capítulo específico sobre a mulher, com enfoque no trabalho decente e na formalização do trabalho.

 

 

Tabela 1 — Pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, total e respectiva proporção em trabalhos formais, por sexo. Brasil, Sudeste, Minas Gerais e Região Metropolitana de Belo Horizonte 2009
 
Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas
Pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por sexo
Total (1.000 pessoas) (1)
Proporção em trabalhos formais (%) (2)
Total
Homem
Mulher
Total
Homem
Mulher
Brasil
90.751
51.890
38.861
51,3
53,2
48,8
Sudeste
39.129
22.069
17.059
61,5
64,4
57,8
Minas Gerais
10.179
5.678
4.500
52,5
55,5
48,8
Região Metropolitana de Belo Horizonte
2.631
1.384
1.247
64,1
67,9
59,9
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/default.shtm?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed >. Acesso em: 27 mar. 2014.
(1) Inclusive as pessoas com idade ignorada.
(2) (2) Inclui empregado com carteira de trabalho assinada, trabalhador doméstico com carteira de trabalho assinada, militar, funcionário público estatutário, conta própria e empregador que contribuíam para a previdência social

  

 

Pode-se observar que, entre 1999 a 2009, aumentou a participação do trabalho formal para ambos os sexos no Brasil. Em 2009, a proporção de homens em trabalhos formais atingia 53,2%, enquanto para as mulheres essa proporção chegava a 48,8%. Minas Gerais espelha a realidade brasileira, com 55,5% dos homens ocupados em trabalhos formais e 48,8% das mulheres nessa situação. Tais resultados refletem a criação de novos postos de trabalho criados nos últimos anos, impulsionada pelo crescimento econômico observado no período.
O aumento da participação na categoria empregado com carteira de trabalho assinada afeta, principalmente, aqueles que historicamente têm acesso mais difícil ao mercado de trabalho, como os jovens e as mulheres. O número de mulheres com carteira assinada no Brasil passou de 24,2%, em 1999, para 30,3%, em 2009. Percentual semelhante é verificado entre as mulheres em Minas Gerais na categoria empregado com carteira assinada: 29,7%.
A proporção de trabalhadoras não remuneradas diminuiu, no Brasil, de 18,7%, em 1999, para 11,6%, em 2009. Em Minas Gerais, as trabalhadoras não remuneradas e trabalhadoras para o próprio consumo ou na construção para o próprio uso totalizavam 14% das mulheres ocupadas em 2009.

 

Tabela 2 — Mulheres de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, total e respectiva distribuição percentual, por posição na ocupação. Brasil, Sudeste, Minas Gerais e Região Metropolitana de Belo Horizonte — 2009
Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas
Pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência
Mulheres
Total (1.000 pessoas) (1)
Distribuição percentual, por posição na ocupação (%)
Empregado
Trabalhador Doméstico
Militar ou funcionário público estatutário
Conta própria
Empregador
Trabalho na produção para o próprio consumo (2)
Outro trabalho não remunerado
Com carteira
Sem carteira
Com carteira
Sem carteira
Brasil
38.861
30,3
12,7
4,6
12,3
9,7
16,2
2,7
5,7
5,9
Sudeste
17.059
37,5
11,6
6,0
11,8
9,1
15,1
2,8
2,9
3,1
Minas Gerais
4.500
29,7
11,8
4,8
12,3
10,1
14,4
2,9
8,7
5,3
RMBH
1.247
38,4
11,3
6,6
11,0
9,8
15,2
3,1
2,7
2,0
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009. Brasília, 2013. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/default.shtm?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed >. Acesso em: 27 mar. 2014.
(1) Inclusive as pessoas com idade ignorada.
(2) Trabalho na produção para o próprio consumo e na construção para o próprio uso.

 

Observa-se alta participação de mulheres jovens (16 a 24 anos) e idosas em trabalhos informais, 69,2% e 82,2%, respectivamente, o que pode estar relacionado com a baixa escolaridade. Tal percentual também pode estar relacionado, no caso das mais jovens, com a dificuldade de acesso a um primeiro trabalho formal em que possam conciliar emprego e estudo e, no caso das mais idosas, com o retorno de aposentadas e pensionistas ao mercado de trabalho, especialmente, em trabalhos informais.
Verifica-se que, no Brasil, a variável racial interfere na proporção de mulheres que se dedicam a trabalhos informais. A porcentagem é de 44,0% de mulheres de cor branca, 60% de cor parda e 54,1% de cor preta.
Novamente, Minas Gerais espelha a situação brasileira no que diz respeito aos anos de estudo da população maior de 16 anos ocupada, tanto no que se refere à maior escolaridade entre os trabalhadores formais quanto à maior escolaridade da população feminina.

 

 

Tabela 3 — Média de anos de estudo de pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência e em trabalhos formais e informais, por sexo. Brasil, Sudeste, Minas Gerais e
Região Metropolitana de Belo Horizonte — 2009
 
Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas
Média de anos de estudo das pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência e em trabalhos formais e informais, por sexo
Ocupadas
Trabalhos formais (1)
Trabalhos informais
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Homens
Mulheres
Brasil
7,7
8,8
9,2
10,6
6,1
7,1
Sudeste
8,6
9,4
9,4
10,6
7,2
7,7
Minas Gerais
7,5
8,4
8,6
10,2
6,1
6,7
Região Metropolitana de Belo Horizonte
8,9
9,5
9,4
10,4
7,8
8,1
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009. Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/default.shtm?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed >. Acesso em: 27 mar. 2014.
(1) Inclui empregado com carteira de trabalho assinada, trabalhador doméstico com carteira de trabalho assinada, militar, funcionário público estatutário, conta própria e empregador que contribuíam para a previdência social.


 

De acordo com os dados do Censo Demográfico 2010, o valor médio do rendimento mensal das mulheres em Minas Gerais corresponde a 69,5% do rendimento dos homens. Essa proporção é um pouco menor que a observada para o País (70,54%).

 

Tabela 4 — VALOR MÉDIO DO RENDIMENTO MENSAL TOTAL NOMINAL, POR SEXO (R$)
Brasil, Minas Gerais e Belo Horizonte
BRASIL
HOMEM
MULHER
Brasil
1395
984
Minas Gerais
1282
891
Belo Horizonte
2336
1549
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília – DF). Sistema IBGE de Recuperação Automática — SIDRA. Censo Demográfico 2010. Resultados preliminares. Brasília: IBGE, 2012. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=8&i=P&c=1425. Acesso em: 22 nov. 2013.

                                      

 

Mesmo com maior escolaridade, as mulheres têm rendimento médio inferior ao dos homens. Em 2009, mulheres com 12 anos ou mais de estudo recebiam, em média, no Brasil, 58% do rendimento de homens com o mesmo nível de escolaridade e, em Minas Gerais, 55,1%. Nas outras faixas de escolaridade, a razão é um pouco mais alta: 61%, no Brasil, para as mulheres que estudaram de 9 a 11 anos. Em Minas Gerais, mulheres com até 8 anos de estudo recebiam, em média, 58,5% da remuneração dos homens e, nos casos de mulheres que estudaram de 9 a 11 anos, 59,5%. Além disso, percebe-se que de 1999 a 2009 as disparidades não diminuíram.

 

Tabela 5 — Percentual do rendimento médio das mulheres de 16 anos ou mais de idade ocupadas em relação aos homens, por grupos de anos de estudo. Brasil, Sudeste, Minas Gerais e Região Metropolitana de Belo Horizonte — 2009
Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas
Percentual do rendimento médio das mulheres de 16 anos ou mais de idade ocupadas em relação aos homens, por grupos de anos de estudo (%) (1).
Total
Até 8 anos de estudo
9 a 11 anos de estudo
12 anos ou mais de estudo
Brasil
70,8
61,3
61,1
57,7
Sudeste
67,9
59,7
62,3
59,2
Minas Gerais
68,7
58,5
59,5
55,1
RMBH
66,4
58,1
62,8
57,7
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009. Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/default.shtm?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed >. Acesso em: 27 mar. 2014.
(1) Exclusive as pessoas sem declaração de rendimento e pessoas com rendimento nulo.

 



As diferenças de rendimento entre homens e mulheres são incontestáveis. A distribuição de homens e mulheres de acordo com a classe de rendimentos, conforme o quadro que segue, explicita isso. As mulheres são maioria nas classes de rendimento mais baixas — 74,2% das pessoas com rendimento até ¼ (um quarto) de salário mínimo — e minoria na classe de rendimentos mais altas. Os homens, por sua vez, ocupam posição inversa: estão em maior proporção nas classes de rendimento mais altas — 81,29% dos que têm rendimento de mais de 30 salários mínimos são homens.

 

 

 

Tabela 6 —  CLASSES DE RENDIMENTOS MENSAIS HOMEM / MULHER
 
Total MG
Mulher
Homem
Sem rendimento
5801161
3580068
61,71
2221093
38,29
Até ¼ de salário mínimo
376627
279467
74,2
97160
25,8
Mais de ¼ a ½ salário mínimo
503777
314838
62,5
188939
37,5
Mais de ½ a 1 salário mínimo
4454286
2308705
51,83
2145581
48,17
Mais de 1 a 2 salários mínimos
3221312
1292812
40,13
1928500
59,87
Mais de 2 a 3 salários mínimos
1002561
335385
33,45
667176
66,55
Mais de 3 a 5 salários mínimos
767738
269637
35,12
498126
64,88
Mais de 5 a 10 salários
527738
179858
34,08
347880
65,92
Mais de 10 a 15 salários mínimos
92933
28696
30,88
64237
69,12
Mais de 15 a 20 salários mínimos
77034
20663
26,82
56371
73,18
Mais de 20 a 30 salários mínimos
39296
9204
23,42
30092
76,58
Mais de 30 salários mínimos
23790
4451
18,71
19339
81,29
Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Sistema IBGE de Recuperação Automática — SIDRA. Censo Demográfico 2010. Resultados preliminares. Brasília: IBGE, 2012. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=8&i=P&c=1425. Acesso em: 22 nov. 2013.

                                     

 

Proporção homem/mulher por classes de rendimento mensais. Minas Gerais - 2010


Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. (Brasília – DF).  Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA. Censo Demográfico 2010. Resultados preliminares. Brasília: IBGE, 2012. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=8&i=P&c=1425. Acesso em: 22 nov. 2013. Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. (Brasília – DF). Sistema IBGE de Recuperação Automática - SIDRA. Censo Demográfico 2010. Resultados preliminares. Brasília: IBGE, 2012. Disponível em: http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/listabl.asp?z=cd&o=8&i=P&c=1425. Acesso em: 22 nov. 2013.
  • Mulher e Trabalho Doméstico

    Ainda em relação ao trabalho feminino, um ponto a ser destacado refere-se ao trabalho doméstico. Segundo a Organização Internacional do Trabalho — OIT —, a demanda por trabalho doméstico tem crescido no mundo todo. Contribuíram para isso as mudanças na estrutura familiar, na organização do trabalho, na entrada maciça de mulheres no mercado de trabalho, entre outros fatores. As dificuldades de integração da vida profissional com a vida doméstica têm causado um crescimento das desigualdades entre segmentos de mulheres. A responsabilidade pelos cuidados com crianças ou idosos atinge fundamentalmente as mulheres, e é nesse ponto que as políticas públicas têm um papel fundamental.
    As informações estatísticas acerca do uso do tempo gasto nas diversas atividades do dia a dia são de fundamental importância para a obtenção de estimativas mais precisas sobre a chamada “dupla jornada”, possibilitando, assim, a elaboração de políticas públicas que promovam maior qualidade de vida às pessoas, em especial às mulheres, que ainda hoje são as principais responsáveis pelos cuidados do lar. O número de horas dedicado a afazeres domésticos varia de acordo com a escolaridade: mulheres com 12 anos ou mais de estudo dedicam menos tempo a esse tipo de tarefa (17 horas semanais) do que aquelas com até 8 anos de estudo (23,5 horas semanais).

     

    Média de horas trabalhadas em afazeres domésticos das pessoas ocupadas de 16 anos ou mais de idade, por sexo, segundo os anos de estudo. Brasil — 2009

    Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. (Brasília – DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009.  Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/default.shtm?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed >.  Acesso em: 27 mar. 2014. Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. (Brasília – DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009. Brasília, 2013. Disponível em: . Acesso em: 27 mar. 2014.

     


    Tabela 1 — Média de horas semanais gastas em afazeres domésticos das pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por sexo e grupos de anos de estudo. Brasil, Sudeste, Minas Gerais e Região Metropolitana de Belo Horizonte — 2009
     
    Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas
    Média de horas semanais gastas em afazeres domésticos das pessoas de 16 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência, por sexo e grupos de anos de estudo
    Homens
    Mulheres
    Total
    Até 8 anos de estudo
    De 9 a 11 anos de estudo
    12 anos ou mais de estudo
    Total
    Até 8 anos de estudo
    De 9 a 11 anos de estudo
    12 anos ou mais de estudo
    Brasil
    9,5
    9,9
    9,5
    8,5
    22,0
    25,3
    20,5
    17,0
    Sudeste
    9,4
    9,7
    9,4
    8,6
    21,3
    24,6
    20,4
    16,9
    Minas Gerais
    9,0
    9,4
    9,0
    7,5
    22,6
    26,2
    20,4
    17,1
    RMBH
    9,2
    9,9
    9,2
    7,6
    21,7
    26,3
    20,4
    15,7
    Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2009. Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2009/default.shtm?utm_medium=twitter&utm_source=twitterfeed >. Acesso em: 27 mar. 2014.

     

     

    Esse resultado ocorre, por um lado, porque as mulheres com maior escolaridade dedicam mais horas ao trabalho produtivo do que as mulheres com menor escolaridade; por outro, considerando a correlação entre escolaridade e renda, porque mulheres com maior escolaridade dispõem de mais recursos econômicos que permitem, por exemplo, a contratação de serviços de outras mulheres trabalhadoras domésticas, o que acaba por gerar desigualdades entre os segmentos de mulheres. Tal dilema vem sendo estudado por especialistas, que têm observado a ocorrência da imigração de mulheres mais pobres para serem domésticas de outras mulheres em países desenvolvidos.
    Uma questão importante é que, além das atividades que executam no mercado de trabalho, as trabalhadoras domésticas também são responsáveis pelas tarefas em seus domicílios. A consequência disso é a transferência da responsabilidade do trabalho doméstico para as crianças. O fenômeno ocorre especialmente nos domicílios mais pobres, em que é muito frequente a ocupação de mulheres como trabalhadoras domésticas.
    O trabalho doméstico é um nicho ocupacional feminino por excelência: 93,0% dos trabalhadores são mulheres. Em 2009, 55,0% delas tinham de 25 a 44 anos. Um contingente expressivo de trabalhadoras domésticas (72,8%) não possuía carteira de trabalho assinada, o que evidencia a precariedade das condições de trabalho da maioria dessas mulheres. A escolaridade média encontrada foi de 6,1 anos de estudo, e o rendimento médio foi da ordem de R$ 395,20. Em relação à questão de gênero e trabalho, o grande desafio é a implementação de políticas públicas para a formalização do trabalho doméstico.



    Quadro 1 — Mulher e o mercado de trabalho - Minas Gerais, 2010
    Descrição
    %
    Arranjos familiares, do tipo mulher sem cônjuges com filhos, residentes em domicílios particulares - 2009
    18,7
    Percentual do rendimento médio das mulheres em relação aos homens, ambos de 16 anos ou mais de idade e ocupados - 2009
    69,0
    Percentual do rendimento médio das mulheres em relação aos homens, ambos de 16 anos ou mais de idade, ocupados e com 12 anos ou mais de estudo - 2009
    55,0
    Média de horas semanais gastas em afazeres domésticos pelos homens de 16 anos ou mais de idade - 2009
    9,8
    Média de horas semanais gastas em afazeres domésticos pelas mulheres de 16 anos ou mais de idade - 2009
    26,3
    Fonte: INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA — IBGE. (Brasília — DF). Pesquisa nacional por amostra de domicílios: Síntese de Indicadores 2011. Brasília, 2013. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/trabalhoerendimento/pnad2011/default.shtm >. Acesso em: 27 mar. 2014.

     

     

    A legislação brasileira vem avançando no que se referente ao trabalho doméstico. O Congresso Nacional promulgou, em abril de 2013, a Emenda Constitucional nº 721, que amplia os direitos trabalhistas de domésticas, babás, cozinheiras e outros trabalhadores em residências, estendendo a eles os direitos trabalhistas devidos aos demais trabalhadores: o recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS; a jornada de trabalho fixada em lei; o pagamento de hora extra; os direitos ao seguro desemprego; o salário-família; entre outros.

      Em 1º de junho de 2015 foi promulgada a Lei Complementar nº1502 que dispõe sobre o contrato de trabalho doméstico; altera outras leis trabalhistas. Em síntese, essa Lei define o que é trabalho doméstico e regulamenta a duração, a remuneração, os intervalos de descanso, a indenização compensatória em caso de dispensa sem justa causa, os direitos previdenciários e outros itens que estendem ao empregado doméstico os mesmos direitos e garantias dos demais trabalhadores.

    Para maiores informações sobre estrutura organizacional e de gestão e sobre financiamento ver os itens Mulher/Estrutura organizacional e de gestão e Mulher/Financiamento.

    Consulte também Trabalho, Emprego e Renda.

     

     

    1 BRASIL. Constituição (1988.) Emenda Constitucional, nº 72, de 2 de abril de 2013. Altera a redação do parágrafo único do art. 7º da Constituição Federal para estabelecer a igualdade de direitos trabalhistas entre os trabalhadores domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc72.htm>. Acesso em: 24/4/2014.

    2 BRASIL. Lei Complementar nº 150, de 1º de junho de 2015. Dispõe sobre o contrato de trabalho doméstico; altera as Leis no 8.212, de 24 de julho de 1991, no 8.213, de 24 de julho de 1991, e no 11.196, de 21 de novembro de 2005; revoga o inciso I do art. 3o da Lei no 8.009, de 29 de março de 1990, o art. 36 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, a Lei no 5.859, de 11 de dezembro de 1972, e o inciso VII do art. 12 da Lei no 9.250, de 26 de dezembro 1995; e dá outras providências. Disponível em: <http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lcp%20150-2015?OpenDocument>. Acesso em: 27 out. 2015

     

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Atuação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
  • Na Assembleia Legislativa, as seguintes Comissões são os pontos focais para discussão dos problemas relacionados a este tema:
  • • Direitos Humanos